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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vai passar




Texto e foto de Valéria del Cueto

Não estou aqui pra reclamar, mas está cada vez mais difícil ignorar a falta que o verão me faz.
A prioridade da estação, para mim, é o sol.
Cada vez que ele ameaça aparecer preparo meus pertences que incluem canga, este caderninho que vos escreve, caneta, celular, o kit da máquina fotográfica pequena (se ele vai, pode até ficar guardado, se fica, as imagens pululam diante de mim, gerando pragas e maldições ao desleixo voluntário), quatro reais para um mate com limão e os óculos escuros.
Claro que demoro um pouco para cumprir as inevitáveis tarefas matinais da casinha, antes de poder tomar o rumo da Ponta do Leme. É aí que o tempo começa a mudar.
Sentada na areia, devorando um livro (o da vez é Excalibur, último da trilogia “As Crônicas de Arthur”, de Bernard Cornwell), escrevendo ou, simplesmente, exercendo meu turno de fiscal da natureza, observo a mudança climática.
Primeiro, uma bruma se filtra no azul meio pálido do céu, muito sutil. Ela vai se espalhando e ficando cada vez mais compacta.
O sol ainda brilha quando um ventinho vai trazendo do sul, como quem não quer nada, uma fina camada de nuvens.
A camuflagem para o que virá por cima. Esta camada superior que invade a praia avançando pelo topo das montanhas e encobre o Cristo Redentor movida pela força dos ventos que, agora, impulsionam a massa toda em direção ao meu pedaço de céu já cinzento.
Por enquanto, nada de muito ruim se levarmos em contava a ação sensacional do mormaço que, entre outros predicados, iguala o bronzeado queimando por inteiro, sem deixar as marcas inevitáveis caso fosse o sol de sempre.
Outra vantagem (para uns) é a ocupação territorial. Não dá para acreditar que na primeira quinzena de janeiro as praias estejam tão deliciosamente vazias.
A clientela aliou o tempo meia-boca a cor horrível da água do mar e deixou os barraqueiros a verem só navios. Isso, os poucos que se arriscam a montar suas traquitanas com esse tempinho chinfrim.
E lá se vai o planejamento econômico dos que dependem do sol, do mar e das hordas de turistas para garantir o pão da alta temporada.
Dias melhores virão garantem os otimistas que, como eu, não abandonam o Posto 1 enquanto a chuva não cai.
Inclua aí os jogadores daquela pelada clássica na linha d’água que, todo santo dia, transformam quatro carcaças de cocos em traves de gols e consideram as partidas de futebol na areia uma necessidade básica para a manutenção da saúde física e mental.
Mas tudo só dura até os primeiros e múltiplos pinguinhos que, de tão pequenos e insignificantes, nem de gotas poderiam ser chamados.
É a tal garoinha o maior sinal de que essa não é aquela chuva de verão de final de tarde que estamos acostumados neste período do ano.
Pancadonas diluvianas que lavam o céu, ao som dos resmungos que antecipam as trovoadas e raios que cortam o horizonte e agitam as cristas das ondas do mar. Elas garantem a o sol do amanhã.
Sorte que, assim como a esperança é a última que morre, sabemos que essa moagem climática vai passar e o bom e velho verão haverá de chegar.
Nem que seja lá por meados de março, ou no início da primavera...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série e “Ponta do Leme”, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Outdoor do citibank em São Paulo, fantástico!

Amigos,


Esse texto veio bem de encontro ao que desejo a cada um de voces......

Um novo tempo, que pode ter começado no dia primeiro de janeiro, ou quem sabe hoje, mas que seja muito cheio de vida..... imensamente feliz !!!!!!

Grande abraço !!!

Campanha publicitária do Citibank espalhada pela cidade de São Paulo através de Outdoors:

"Crie filhos em vez de herdeiros."
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"
"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."


E para terminar:


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.

Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sabedoria de Avó...

LEIA COM ATENÇÃO E REFLITA!!
Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de vinho do Porto, dizer aos meus netos:
- Queridos, venham cá.
Assenten-se aqui ao meu lado.
Tenho umas coisas pra lhes contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões.
E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração.
Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
Satisfaça seus desejos.
Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito...
" Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Tenha uma vida rica de vida! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor.
Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode
ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você.
Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão.
É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.
Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais.
Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida.
Agora é a sua vez.
Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?


Isso vale para todos nós, pais, filhos, netos e amigas...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Meu filho, você não merece nada...

Eliane Brum escreveu para a Revista Época. E disse tudo:

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.


Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Eliane Brum é Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Vida ensina



Artur da Távola

Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe.
Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento;
que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim.
Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta:
se procurar demais, acaba achando.
Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo;
que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo.
Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco;
que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.
Tanto mais lúdica quanto mais complexa.
Tanto mais complexa quanto mais consciente.
Tanto mais consciente quanto mais difí­cil.
Tanto mais difí­cil quanto mais grandiosa.
Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade;
que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.
Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro,
sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas,
sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio,
por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais,
embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas.
Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva.
Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio;
mas para dizê-las depois.
Que a vida ensine que tão ou mais difí­cil do que ter razão, é saber tê-la.
Que aquele garoto que não come, coma.
Que aquele que mata, não mate.
Que aquela timidez do pobre passe.
Que a moça esforçada se forme.
Que o jovem jovie.
Que o velho velhe.
Que a moça moce.
Que a luz luza.
Que a paz paze.
Que o som soe.
Que a mãe manhe.
Que o pai paie.
Que o sol sole.
Que o filho filhe.
Que a árvore arvore.
Que o ninho aninhe.
Que o mar mare.
Que a cor core.
Que o abraço abrace.
Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe.
Verde. Como a esperança.
Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.
A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Só ele salva


É sério, queridos editores

Texto e foto de Valéria del Cueto

As águas estão rolando. O que há de diferente nisso? Nada. Elas sempre rolam e todos sabem disso. Ano após ano, um verão depois do outro.

Podem variar um pouco os locais em que elas descem causando prejuízos sempre incalculáveis, mas nada que qualquer vidente bem preparado não acerte com 100% de certeza: ”Chuvas no sudeste”. Um pouco mais pro sul, leste e oeste, mas que rolam, elas rolam!

O que nos faria pensar em algo como um sistema preventivo e outro de atendimento de emergência. Tipo Defesa Civil, aquela que vem sendo desmontada e desestruturada, sabe?

Sabemos todos, menos eles, os responsáveis diretos pela falta de estudos, planejamento, estrutura e obras que deveriam ter sido feitas ao longo do(s) ano(s).

Qual será a parte do aviso de que “as mudanças climáticas serão severas e provocarão inúmeros e inesperados (pra eles) desastres naturais” eles ainda não entenderam?

É, por que além de não fazerem o dever de casa ainda roubam os recursos (mal) destinados para a questão. Entra ano, sai ano as notícias são as mesmas, variando um pouco de endereço.

Lembro de um ano em que todas as sextas feiras chuvas torrenciais botavam o carioca literalmente surfando nas ruas alagadas da cidade e expunham a fragilidade do sistema de defesa civil.

Ano passado, foi a região serrana que resolveu se mexer, sacudir e mudar sua plástica. O Google Map que o diga, por que os mais de 900 mortos não poderão testemunhar o que passaram.

São Paulo volta e meia também submerge, quase como Minas esse ano. Sempre foi assim, mas vem piorando a cada temporada os estragos e prejuízos. Também piora o atendimento às vítimas, já que não se altera ou melhora o sistema coordenado pela Defesa Civil. O que vemos são heróis, bombeiros, policiais, militares e voluntários gerando “cases” mostrados pela mídia.

Quando o assunto deixa de ser notícia, as providências prometidas vão para o fundo do baú das inconveniências momentâneas, aquele que só deverá ser reaberto após um período em que outros pequenos problemas sazonais como a seca, por exemplo, ocuparão posição de destaque no pódium da manchete da hora.

Lamentável, especialmente para a imensa população sujeita e exposta à irresponsabilidade das autoridades ditas maiores deste país.

Senão, vejamos: quando presidente Lula da Silva incumbiu a então Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff da tarefa de cuidar da questão da chuvarada da vez. Ano passado,quando a Serra Fluminense despencou a nossa recém empossada presidente anunciou, no dia 27 de janeiro de 2011 a construção de 8 mil casas na região, que estariam entregues até o final do ano. Passado, é claro...

E tudo continua como sempre foi.

Agora, a bola da vez é a ministra Gleisi Hoffmann, convocada em plenas férias (!) para a tarefa que já fez parte da pauta da atual mandatária. Tomara que a execute de forma mais eficiente, leve a sério as informações que os desastres climáticos só tendem a piorar e que, a cada manifestação da natureza, no momento, só tenhamos certeza das mortes que poderiam ser evitadas e dos prejuízos irrecuperáveis para as comunidades atingidas.

Na verdade, há sim, mais uma certeza! Que o sol de verão voltará a brilhar e será o maior cúmplice da amnésia política e governamental que imperará até a próxima estação. Afinal, será ele o responsável pelas severas secas que castigarão os flagelados da vez.

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série e “Ponta do Leme”, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

sábado, 7 de janeiro de 2012

Para refletir

Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um
vagalume.
Este fugia rápido da feroz predadora, e a serpente não
desistia.
Primeiro dia , ela o seguia. Segundo dia, ela o seguia...
No terceiro dia, já sem forças, o vagalume parou e falou a
serpente:
- Posso te fazer três perguntas?
- Não estou acostumada a dar este precedente a ninguém porém como
vou te devorar, podes perguntar. Contestou a serpente. - Pertenço a
tua cadeia alimentícia? Perguntou o vagalume. - Não, respondeu a
serpente. - Eu te fiz algum mal? Diz o vagalume.
- Não. Tornou a responder a serpente. - Então por que queres
acabar comigo???
- Porque não suporto ver-te brilhar.
Conclusões: Muitas vezes nos envolvemos em situações nas quais
nos perguntamos:
Por que isso me acontece se não fiz nada de mal, nem causei dano a
ninguém?
Certamente a resposta seria: Porque não suportam ver-te brilhar...
Quando isso acontecer, não deixe diminuir seu brilho.
Continue sendo você mesmo! Segue fazendo o melhor!
Não permita que te lastimem, nem que te retardem.
Segue brilhando e não poderão tocar-te... Porque tua luz
continuará intacta.
Tua essência permanecerá, aconteça o que acontecer...
Seja sempre autêntico, embora tua luz incomode os predadores!!


Tenha um fim semana abençoada !!!!!


Beijo no coração de todos.