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quinta-feira, 3 de julho de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

"UM QUINTAL"

 TEXTO DE DANUSA LEÃO 

"Quando uma pessoa começa a melhorar de vida, pensa logo em comprar uma boa casa.
E o que é uma boa casa?
É preciso um jardim e uma piscina, imaginam os pais. Eles querem para as crianças uma infância saudável, com  confortos que nunca  tiveram,mas não pensam no principal: um quintal.

Um quintal não precisa ser grande, e o chão deve ser de terra batida.Nele deve haver algumas árvores que não pareçam ter sido plantadas,mas sempre existido. Um abacateiro e uma goiabeira, de goiaba vermelha, são fundamentais.


No, fundo, um galinheiro tosco, com uma porta quebrada, para que as três ou quatro galinhas possam correr quando alguém quiser pegá-las. Nenhum computador levará uma criança ao deslumbramento que ela terá ao encontrar um ovo e segurá-lo, ainda quentinho.

É o mistério da vida nas mãos dela, mais absoluto e mais simples doque qualquer livro de filosofia.

Um dia, a cozinheira avisa que vai matar uma galinha para o molho pardo.

Os meninos pedem para ver a cena trágica; a mãe não quer; mas a
empregada, acostumada, com o facão na mão, facilita.

Se a galinha tiver dentro da barriga aquele monte de ovinhos, aí a lição de morte e - e de vida - será ainda mais completa.

E mais lições serão aprendidas quando alguém sugerir fazer uma peteca com as penas mais duras e algumas palhas de milho. Mas será que alguém sabe do que estou falando?

Voltando: esse quintal deve ser meio abandonado, mas muito limpo; duas vezes por dia a empregada, cantando bem alto, dá uma varrida.

É importante também que haja um tanque para lavar o pé de alguma
criança quando ela pisar descalça numa porcaria, e um varal com
pregadores de roupa de madeira.

Nesse lugar, não vai ter horta nem pomar organizado. Em compensação, é bom que exista do outro lado do muro uma enorme mangueira para  que se possa praticar o melhor crime do mundo: roubar as frutas do vizinho.

Nos fundos de um quintal, deve haver também uma touceira de bananeiras ou bambus e, claro, um adulto dizendo sempre para tomar cuidado, pois ali pode ter uma cobra. Não há infância que se preze sem medo de cobra.

Quando as goiabas começam a crescer, fica todo mundo de olho até a primeira delas estar no ponto para ser arrancada e mordida ali mesmo, sem lavar.  E que sensação terrível quando se vê o bicho da goiaba semexendo.

Aí, sem que ninguém precise dizer nada, você começa a aprender que a vida é assim: ou se compra uma goiaba bonita, mas sem gosto, ou se espera com paciência ela amadurecer no pé até destilar o supremoprazer de dar aquela dentada - com direito a bicho e tudo.

Mas o tempo voa.

De repente você se sente só, abre o  caderno de telefones e percebesua pouca afinidade com os nomes que estão lá, que tem vivido uma vida que não  tem nada a ver e começa a procurar um sentido para as coisas.

Não encontra resposta, claro, mas um dia está no trânsito, vê um
terreno baldio, se lembra daquele quintal no qual não pensa há anos e percebe que essa é a lembrança mais importante e mais feliz de sua vida.

E passa a olhar o mundo com a superioridade de quem tem um tesouro guardado dentro do peito, mas ninguém sabe.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O QUE EU GOSTO DE VOCÊ NÃO TEM TAMANHO

Por - Tália Bed

Certas tomadas de decisão são solitárias, apesar de envolverem mais de um no contexto. Isso acontece porque não é possível mensurar no outro a intensidade do efeito que nossas atitudes poderão causar tendo em vista a individualidade. Aproximadamente, talvez, mas nunca corresponde exatamente à dimensão que alcança na pessoa afetada por elas. Trocando em miúdos, o título acima indica a avaliação unilateral de um sentimento depositado em confiança na criatura dos nossos sonhos. Foi um fato real. Era a mensagem de um poster de um elefantinho comprado em Brasília/DF, se não me falha a memória e entregue pessoalmente na empresa do destinatário. Poderia haver manifestação mais delicada que essa - trazer de viagem uma lembrança tão meiga? O mimo causou uma reação descabida de uma ex (o casal se separara em meio a disputas até pela mesa de jantar), na verdade, a ex cunhada - talvez bem mandada - foi deixar o poster na casa da atual namorada, quebrado em vários pedaços, uma verdadeira demonstração de deselegância, inapropriada e grosseira. Tratavam-se de pessoas - todas as quatro - instruídas, profissionais liberais, todos residindo em uma capital, conhecidos, alguns deles dividindo o mesmo ambiente profissional entre si ou com parentes próximos. Antes deste episódio tratavam-se cordialmente como exigem as regras sociais. Encontravam-se frequentemente no trabalho ou na universidade, algumas vezes em casa de familiares, havia um convívio profissional e pessoal por razões diversas. Não uma intimidade, mas uma proximidade respeitosa. Quanto ao novo casal a amizade começara muito antes de qualquer aproximação maior, inclusive houve uma ocasião em que o futuro namorado havia adoecido gravemente e retornara ao trabalho depois da convalescença e foi abraçado, tamanha a felicidade que foi sentida pela amiga ao vê-lo são e salvo. A idade favorecia a deferência em relação ao ex casal, no entanto o acontecimento do poster revelou a imaturidade do gesto arquitetado sabe-se lá por quem. Imaginem a decepção sentida por quem presenteara a pessoa amada ao receber em casa, jogado no terraço, os cacos do poster emoldurado com tanto carinho. Resumo da ópera: ao se encontrarem um outro dia no local de trabalho dele, o mesmo disse as palavras finais - "eu não gosto de você!" O que você teria feito? Pois bem, a rejeitada bateu os calcanhares e deu meia volta, volver! (isso daria um filme de Pedro Almodóvar, com Penélope Cruz no papel principal). Não demorou nada, a desenganada se casou com um moçoilo de 30 anos, ela com 31, e demorou menos ainda para o cidadão ligar para a residência dela e perguntar por que ela não o esperara. Mais, disse-lhe ainda que havia sido um choque para todo mundo (quem?!) e que ninguém pensara que ela se casaria(!). Algum de vocês respondeu alguma coisa? Ela também não. Ele ficou com a mesa que pedira de volta durante um jantar na antiga casa da família deixando todos a jantar sem mesa e continuou morando sozinho em outra casa no mesmo bairro de antes. Contam que ele passou o sábado ouvindo músicas - italiana (que adorava), pagode - e no dia seguinte foi encontrado pelo filho que estranhara o fato dele ainda não ter se levantado para trabalhar, já que costumava sair cedo de casa. Morrera só. A ex esposa foi ao velório e levantou-se de chofre ao ver a outrora namorada chegar, o que a inibiu de dar os pêsames até para a irmão dele. Ela fora acompanhada pela irmã, colega da ex esposa, inclusive receara o encontro, porém a irmã a tranquilizou dizendo que não haveria nada de mal em comparecerem juntas ao local. Em síntese, a antiga namorada foi sentar-se em um banco distante onde permaneceu o tempo inteiro em que a irmã ficou lá, onde recebeu a solidariedade de alguém que foi sentar-se ao lado dela. Moral da história: "Não se deve deixar passar as oportunidades de ser feliz por permanecer agarrado ao passado que não volta, por desperdiçar energia em disputas egoístas. Deve-se baixar as últimas resistências à felicidade que te sorri generosamente enquanto abrigas o ódio em teu coração." A vida não para, Penélope Cruz! Almodóvar bem o sabe.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

AS MINEIRAS

Carlos Drummond de Andrade

"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar, já que tudo que é bom, tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar lindo e charmoso ficou de fora? Por que Deus, que sotaque!Mineira devia nascer com uma tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal a saúde.Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez, quase propus casamento a uma mineira que me ligou por engano. Elas tem um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá por que abandona-las no meio do caminho. Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem apenas de uais, trens e sôs. Mineira não fala que o sujeito é competente, ele é bom de serviço. Nunca usam o famosíssimo tudo bem. Sempre perguntam "Ce tá boa?" Pra mim, isso é pleonasmo,  perguntar se uma mineira ta boa é desnecessário. O verbo mexer, para as mineiras tem amplos significados, quer dizer por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem: "Com o que que oce mexe?", querem saber o seu oficio.  ineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa. Também não gostam do verbo conseguir, aqui você nunca consegue nada, você não da conta. Que mineiras nunca acabam as palavras todo mundo sabe.E um tal de bunitim, fechadim, pititim. Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira, vc não ouvirá nunca. Preciso avisar a língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Aqui certas regras não entram. O supermercado nunca tá lotado,  sempre tá cheio de gente, não faz muitas compras, compra um tanto de coisa. Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.Mineiro não arruma briga, caça confusão. Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "ce acha que eu faço isso"? com algumas toneladas de ironia... E o "nem", já ouviu?? Completo ele fica: "Ahhh nemmmm!" Significa, amigo, que a mineira não vai fazer o que vc propôs de jeito nenhum. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Mineira não pergunta, vc não vai? A pergunta mineiramente falando e: "Ce não anima de ir?". O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar "Fui lá comprar umas coisas.", a mineira retrucara: "Ques coisa?" O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o "tchau" em Minas é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. A conjugação dos verbos em Minas têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

RELACIONAMENTOS


 Arnaldo Jabor

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ???"

domingo, 14 de outubro de 2012

Ótimo por um átimo

Texto e foto de Valéria del Cueto

A vida é assim. Conduz a gente. Claro que há espaço para uma substancial colaboração no conjunto da obra. Mas, na hora do vamos ver, pode ter certeza: ela dá o seu pitaco e vira o jogo.
Quer um exemplo?
Cheguei numa praia repleta de atrações fotografáveis. De longe, procurei com o olhar o rumo do meu prumo, a Ponta do Leme. E lá, na Pedra, vejo que começaram a dar o ar da graça as florezinhas amarelas que recobrem as copas das árvores do perfil do morro por um curto espaço de tempo, um quase agora. É a florada dos Ipês.
De longe saco a máquina fotográfica. Cheia de gás e inspiração constato que não só as alterações da paisagem - mas o entorno como um todo - pedem um registro cuidadoso. Sinto-me leve. É a hora!
Começo num plano médio. Vou para o detalhe, pegando a bandeira que tremula no Forte Duque de Caxias e as flores, abro para um geralzão e...
A vida intervém. Poderia dizer, inclusive, que de forma muito antidemocrática. Lá se vão as baterias da câmera. Mais arriadas que pneu em caixa prego.
O que fazer com as bandeiras coloridas dos quiosques, as pipas, o tabuleiro de cuscuz, a leitora distraída? Sem falar no sol, na praia e nas ondas arrojadas que enchem o mar de surfistas.
A vida impõe. Quem pode, responde. Capto o sentido da restrição. Puramente fotográfica, ela não se estende à literatura.
Por isso estou aqui, olhando de dentro dos meus olhos para esse marzão adentro e desafiando minha capacidade de narradora para descrever, mais uma vez, o meu lugar. Meu e de muita gente que venho descobrindo através desse Sem Fim... de histórias que me seduziu. E de quem hoje sou uma escrava feliz que surfa pelas palavras tentando capturar o sentido das ondas por onde deslizam e evoluem homens e pranchas a minha praia.
Pensa que é fácil? Olha e escrever ao mesmo tempo é PHoda. Uma briga incessante. Dois polos te atraem ao mesmo tempo. Aqui, as frases e parágrafos exigem a sua atenção e rapidez, antes que passem batidas, engolidas pela velocidade dos pensamentos que, em décimos de segundos se projetam impacientes num passeio mental vertiginoso.
Lá, aí, lá. Lá é cá, no mar. Também um ciclo de imagens e manobras únicas que, a mim, seduzem desde a formação distante das ondulações que se revelarão boas ou más para a prática do surf, bodyboard e/ou do jacaré, o de peito. Até o momento em que a última espuma da antes poderosa força da natureza se espraia, lambendo preguiçosamente as areias do Leme.
Para mim, onda é um resumo da vida e mar uma síntese dos ciclos existenciais. Como um I Ching natural, aparentemente simples, porém tão complexo quanto os meandros mais profundos do oráculo chinês.
Mobilidade, volatilidade e instantaneidade. Assim são as ondas, movidas de acordo com o humor das correntes, das luas, dos ventos...
É atento a todos esses elementos que se joga na água o atleta. Na busca da sintonia com o mar. O desafio é a integração, por que dela vai depender a capacidade de ousar e criar suas manobras.
O sol, que brilhou até agorinha está se escondendo encoberto por nuvens desanimadoras. Mas como? Ainda não falei das roupas de neoprene penduradas na barraca para secarem. Nem mencionei minha paixão de sempre, as peladas na beira da praia...
É a vida, mais uma bateria que se esgota. Assim como o espaço dessa crônica, a única ditadura imposta pelos meus amados editores para os meus voos literários. Até a próxima!

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com 

domingo, 23 de setembro de 2012

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA



Texto de Luiz Antônio Simas

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.
Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha.
Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias o u coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não.
Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.

Abraços,
Luiz Antônio Simas

(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio).

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tudo ótimo

Texto e foto de Valéria del Cueto

- Bom dia, como vai, senhora? – (essa senhora sou eu).
- Tudo ótimo – respondo sorrindo ao pensar que não reparei o momento exato em que virei “senhora”.
- Nossa, que coisa incrível – diz a atendente do balcão da padaria. – Que milagre! – Exclama com um sincero “ar” de surpresa.
- Como assim? – pergunto intrigada com sua reação - Não entendi...
- Me desculpa, dona, acontece que nunca ninguém respondeu com um “tudo ótimo” ao meu bom dia – explica a moça enquanto para de esfregar furiosamente a superfície do balcão. Seus olhos brilham tão úmidos quanto pano que ela tem nas mãos.
E eu, que na noite anterior havia sido despachada do bonde que me trouxe à Florianópolis, abro o meu mais caloroso e especial sorriso. Era isso ou tê-la que ajudar o balcão inundado de nossas ameaçantes lágrimas.
Como não estaria tudo ótimo? Na véspera, ao sair pela última vez do local em que trabalhei arduamente, em média 12 horas por dia, desde que aqui cheguei (campanha é assim mesmo) uma ENORME lua cheia desenhava o contorno de uma das montanhas da Ilha da Magia, enchendo o céu quase claro de feitiço noturno.
Foi com ela me guiando que, pela primeira vez, pude entrar num maravilhoso restaurante a beira mar onde um filho de Oxalá se apresentou e me abrigou com uma conversa tão deliciosa quanto o gnocchi da fortuna que saboreei com um dia de atraso, “firmando” e pensando na simpatia que é de lei na casa da minha avó.
A conversa, embalada por uma garrafa de um excelente vinho português, de matar de inveja minha maninha Maria Lima, fluiu gostosa. Como aquelas que temos com velhos amigos que se reencontram mesmo sem nunca terem se visto anteriormente. Cercada de atenção e carinho por Andrade, o encarregado de nos levar pelos caminhos das delícias do restaurante Macarronada Italiana.
Quando abri a janela, na manhã seguinte, o sol, que há dias andava de castigo encoberto por pesadas nuvens que traziam as chuvas e um frio de bater os dentes, daqueles que penetram até pelos pespontos da costura lateral da calça jeans, resplandecia abusado. Aquecendo meu corpo ele me intimava a um esforço extra para, ao menos, tirar dois dias de folga antes de rodar a roleta e jogar a bolinha que definirá meu próximo pouso.
Foi assim que cheguei ao pão com queijo na chapa e ao expresso duplo que me levou ao “tudo ótimo”.
Enquanto tomo o café e conto um conto pra você, fiel leitor(a) e confidente, ouço o toque do celular que interrompe e quebra minha concentração.
A voz que escuto vem de longe, bem de longe. Vem do Rio. É minha mãe que, atendendo a um pedido meio impossível, passa o telefone para Dona Ena. Minha avó, minha madrinha, minha mais antiga e mais querida amiga. O amor incondicional da minha vida.
Ela, que está no hospital, quase tão perto de Deus quanto de nós, que tanto a amamos, me chama de “Maria Valéria” e diz que me ama muito. Como sempre. Muitas vezes. Pedindo pra que eu me cuide, diz baixinho outras palavras carinhosas enquanto, tentando disfarçar a voz, sinto as lágrimas do “tudo ótimo” querendo deslizar pelo meu rosto. Ali, em plena padaria do posto de gasolina. Sei que ela vai sair dessa! Tenho fé e rezo para isso.
Não sei como está a sua vida, querido leitor, mas para mim, ainda que triste, ela sorri. E se alguém me perguntar, mesmo que só por gentileza, como estou, a resposta, você já sabe: Está tudo ótimo! E com você?
PS A minha foto de hoje é um ato. Feche os olhos e imagine quem está nesse retrato.
*Valéria del Cueto é acima de tudo, uma neta amorosa e apaixonada. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Café X Saúde


Segundo um novo estudo, algumas xícaras de café por dia podem manter a tristeza longe, pelo menos para as mulheres.
Mulheres que bebem café (com cafeína) são menos propensas à depressão, e quanto mais elas bebem, mais o risco de depressão cai.
O estudo incluiu mais de 50.000 mulheres com idades entre 30 e 55 anos que periodicamente preencheram pesquisas sobre seu consumo de café e saúde.
Nenhuma das mulheres tinha sintomas de depressão ou histórico de depressão no início do estudo, mas durante os próximos 10 anos, cerca de 5% receberam um diagnóstico de depressão ou começaram a tomar medicação antidepressiva.
Comparado com mulheres que bebiam pouco ou nenhum café, aquelas que em média tomavam duas a três xícaras por dia tinham 15% menos chances de desenvolver depressão.
Há uma indicação muito forte de que há um relacionamento entre cafeína e depressão, mas isso não significa que o café vai parar a depressão. Os cientistas precisam de hipóteses para o mecanismo no trabalho, e estudar mais a fundo o que está acontecendo.
O café pode ajudar na prevenção de muitas doenças.
Uma xícara de café possui mais anti oxidantes do que um copo de suco de laranja.
O consumo do café é um hábito muito saudável, não é remédio ou cura para todas as doenças, mas pode prevenir problemas futuros. A apreciação do café é uma paixão que faz bem!
O café produz atividade anti-inflamatória e protetora sobre o sistema cardiovascular.
Possui atividade antagonista opióide (bloqueia o desejo por drogas).
É uma bebida aquosa, não contém gorduras e proteínas sendo mínimo o valor calórico.
Que tal um cafézinho??????

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Personal Stylist?



Por Caroline Gazolla

Anos atrás este serviço era desconhecido pela maioria de nós, meros mortais. Somente as grandes celebridades internacionais apostavam nos Personals para garantir elogios em premières e eventos do gênero. Fato é que esta realidade vem mudando a cada dia. O número de reality shows de moda cresceu nos canais abertos e invadiu inclusive os programas populares da TV brasileira. Artistas nacionais que queriam alcançar fama no exterior começaram a aparecer com visual mais polido e composto – um dos pioneiros foi Alexandre Pires que chegou a ser recebido na Casa Branca com um smoking chiquérrimo após contratar um Personal e reformular completamente seu estilo. Hoje, qualquer aspirante a famoso considera o investimento valioso e acredita que a contratação de um bom Personal Stylist pode e muito contribuir para o crescimento de sua carreira. Daí você se pergunta: “bom, eu entendo a necessidade de artistas e celebridades terem a ajuda de um profissional para se vestir, mas o que eu tenho a ver com isto?”

Eu respondo: tudo!
Todos nós temos uma imagem para zelar. Todos queremos ser bem vistos na carreira, não fazer feio numa festa, não gastar dinheiro com peças que jamais vamos usar e assim por diante.Se antes ter um Personal Stylist era privilégio de poucos, hoje a realidade já é bem diferente. Qualquer um pode – e deve – contratar um Consultor para cuidar da sua aparência.São inúmeros os benefícios de se ter um Personal Stylist. O maior deles é passar a ter mais aceitação do próprio corpo e entender que não há a necessidade de mudá-lo, muitas vezes de maneira agressiva e perigosa, para estar bonita. Com as técnicas certas, pessoas magras podem parecer ter o corpo ideal e aquelas mais fora de forma podem se ver muito mais magras e esbeltas refletidas no espelho. É possível, com o apoio de alguém que entende do assunto, chamar a atenção para aquilo que cada um tem de melhor e esconder seus complexos de maneira que eles deixem de incomodar, ou até mesmo de existir. Todos sabemos o poder que a imagem exerce na nossa sociedade hoje em dia. Muitas vezes, políticos chegam a ganhar eleições com a ajuda de alguém que cria a imagem certa para atingir o seu público de interesse. Não é assim tão diferente no dia a dia das pessoas comuns. A apresentação correta em uma entrevista de emprego e a sua forma de se vestir ajudam, realmente, a galgar posições na carreira e escalar até o topo. Ajuda a se relacionar, a ser mais expansiva, a ter uma vida social mais agitada e assim por diante. Enfim, apesar de lidar com o exterior das pessoas, atinge todos a sua volta e reformula o seu interior como uma verdadeira terapia!
Imagino que vocês devem ter sentido o quanto é recompensador ver toda esta transformação, certo? Por isto que eu absolutamente amo o meu trabalho e meu maior prazer é ver um mundo de gente estilosa e bem arrumada andando por aí. Apesar do trabalho de Personal ser bastante individualizado, algumas dicas servem para todos e por isto criei meu blog: carolinegazollastylist.blogspot.comhttp://carolinegazollastylist.blogspot.com.br/. Lá vocês encontram Looks do dia, Desfile da Semana, as últimas tendências de moda e muito mais. Além disto, podem conhecer um pouco mais da minha história e entender em detalhes como funciona o serviço. Quem sabe vocês não se animam e começam uma interessante jornada de auto-expressão aliando suas roupas e produções ao seu estado de humor e personalidade? Isto, em última instância é o que faz o seu estilo acontecer!

Texto e imagens: Caroline Gazolla

sexta-feira, 2 de março de 2012

O câncer irá desaparecer


MAIS:_Discos voadores ganham espaço na Campus Party

O físico teórico Michio Kaku, professor da Universidade de Nova York e co-criador da "Teoria das Cordas", afirmou que o computador como o conhecemos hoje terá desaparecido em 2020. “No futuro, eles estarão em todos os lugares e em lugar nenhum”, disse o cientista durante palestra realizada na Campus Party em 11 de fevereiro.

Na ocasião, Kaku fez um exercício de futurologia mostrando como será o mundo nos próximos 30 anos. Segundo ele, tanto os computadores como a internet serão como a eletricidade é hoje. “Ambos estarão presentes nos tetos, no subsolo, nas paredes e nos aparelhos”, afirmou.

O professor da Universidade de Nova York foi além e disse que a internet estará nos óculos e nas lentes de contato das pessoas. “Você será capaz de ver todas as informações biográficas de um individuo só olhando para ele. Encontrar sua alma gêmea será tarefa fácil”, brincou.

Outra revolução que está a caminho é na área da medicina. Kaku afirmou que, em um futuro próximo, a tecnologia levará o homem a um estado perfeito de saúde. Segundo ele, o câncer irá desaparecer. "Escrevam isso: a palavra tumor não mais existirá na nossa língua".

Na visão do físico, as pílulas terão chips e microcâmeras que escanearão o corpo humano por dentro. Uma vez localizada a ameaça, nano-robôs serão introduzidos para combater o câncer célula por célula sem a necessidade de cirurgias ou intervenção direta dos médicos.

Kaku também acrescentou que o câncer e outras doenças serão diagnosticadas com anos de antecedência graças a vasos sanitários que monitoram a saúde. “Os banheiros serão equipados com inteligência artificial capaz de analisar os resíduos corporais e identificar o surgimento de uma doença com muita antecedência. Neste futuro, Steve Jobs não teria morrido”, enfatizou.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Brahma


A novidade: não haverá musa do carnaval, como havia no Camarote N° 1, mas a cantora e atriz Jennifer Lopez, contratada como estrela do comercial da Brahma, vai sambar no novo camarote, assim como haverá shows com Preta Gil, o DJ João Brasil e o cantor e compositor Leandro Sapucahy, que tem o nome do camarote no próprio nome. "O Novo Camarote, como queremos que seja chamado, é o melhor lugar. Reunirá as mulheres mais bonitas e a melhor sacanagem" , falou Pedro Adami, gerente de comunicação da Brahma...

O filme comercial da cervejaria foi dirigido em Los Angeles pelo cineasta pernambucano Heitor Dhalia, que garantiu que Jennifer Lopez possui o star quality. Foi tudo gravado em um dia - como se diz no mercado publicitário, "one day shoot" - e com ajuda do coreógrafo Alex Magno. A estrela aprendeu a sambar em meia hora, contou Heitor...



O camarote terá uma entrada exclusiva para seus convidados que também terá direito a todos os mimos dos patrocinadores parceiros da Brahma: a Kibon, a Rider, a Ipanema e a L'Oréal...

"O espaço foi comprado como qualquer outro, de camarotes e frisas da Liesa, e esta é uma ação da Brahma sem nenhuma parceria com a prefeitura", explicou Oliva, que mantém o auxílio de sempre das promoters Alicinha Cavalcanti, Carol Sampaio, Renata Carvalho e Ivone Kassú...

A Brahma escolheu o apresentador da Record Rodrigo Faro como mestre de cerimônias para recepcionar Jennifer Lopez em seu camarote, no domingo (19) de Carnaval. Este ano, a cantora é a grande estrela do espaço.



O apresentador confessou que não vê a hora de conhecer Jennifer pessoalmente. “Até agora, a gente só se falou via conference call. Ela é simpática, um doce de pessoa, muito legal. É uma menina! Me surpreendi com a Jennifer. Ela é muito bacana!”, elogiou.

"Sambar não é mais o verbo, o verbo agora é Sapucar

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Whitney Houston



A Whitney Houston, nao morreu, o que morreu foi a possibilidade de vermos um show dela. A sua voz, assim como dos outros cantores ja do outro lado continuara a nos embalar eternamente...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Baile da Vogue



Quando você sabe o tamanho que tem e não precisa provar nada para ninguém, você pode por exemplo ir ao Baile da Vogue como Ana Claudia Michels e Luciana Curtis...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RUBEM ALVES

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.

‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.

Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam. (Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O que tem a Daslu com seu Jorge?



É que Seu Jorge foi o escolhido para animar os privilegiados convidados ao coquetel de inauguração da nova Daslu, a nova flagship store. Foi no dia 7, no quarto andar do shopping Cidade Jardim, em São Paulo. A Daslu também aproveitou para mostrar o novo e deslumbrante espaço com 3500 metros quadrados que funciona a loja.
A festa contou com um desfile para apresentar a coleção de inverno, e quem abriu foi Isabella Fiorentino, que subiu na passarela pela primeira vez depois de seis meses apòs nascimento dos trigêmeos.
Depois da festa, Seu Jorge continuou o show na sua casa para uma platéia seleta de amigos da sua musa inspiradora Mariana Jorge,noite adentro, eu fui convidado, desculpa!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

É (quase) pra já



Texto e foto de Valéria del Cueto

Ar saudável, cara de quem está de bem com a vida, cabeça arejada, tom bronzeado na pele com marquinha de biquíni. Tudo isso depende diretamente da ação revitalizadora dele.
Tento escrever a crônica da vez, mas minha atenção se desvia para a pelada da praia que se desenrola marrenta entre o mar da Ponta do Leme e minha canga. Forço a volta para o caderninho, mas me convenço que fazer isso é contradizer o que ia escrever, por razões que ficarão óbvias no decorrer do texto.
Caneta na bolsa, caderno por baixo pra não torrar e me entretenho com a partida, cheia de cores, gestos e movimentos a serem capturados pela velha - e sempre útil - Lumix, a câmera fotográfica.
Volto para dizer que sem a pausa teria perdido o vôo cego fotográfico (já que o reflexo no visor me impede de ver o que estou fotografando e, depois, o resultado das clicadas) num ensaio de passos que, apesar de parecerem os de um mestre-sala, estão mais para street dance: cruza perna pra lá, cai de banda pra cá. Foi só ali, naquele espaço/tempo finito. Beijou, beijou, não beijou, não beija mais por que “fetchou o catchão”, como Roda Viva, a peça de Chico Buarque, que ele proíbe novas montagens. Ou você viu em 1968, ou não verá jamais, conforme vontade do cantor, compositor, escritor e teatrólogo.
E o círculo se fecha!Para obtermos a ação benéfica e embelezadora do astro rei é preciso estar atento e ser um forte seguidor da turma do “É agora e pode ser só. Quem garante se haverá mais, depois?” Viu o sol aparecendo? Corre e se posicione para aproveitá-lo enquanto durar: “Não deixe para daqui a pouco o que pode só existir agora”
Uma verdadeira vertente de ditos populares pode surgir em função deste modo temporal imediato do “é pra já”.
Anotem todas, por que serão muito úteis nos próximos dias, diante dos acontecimentos circundantes, já decorrentes dos reflexos astrológicos de 2012.
“É pra já” será o slogan da vez!
É pra já apoiarmos as reivindicações dos bombeiros e da polícia carioca. Dia 10 diz que tem greve geral e recém agora o comando criou uma comissão. Aquela, que já contei aqui, um prefeito amigo aconselhava implantar cada vez que, numa crise, não havia solução para a demanda.
É pra já observar e, se puder, participar da resistência às leis que coíbem e policiam o mundo livre virtual da internet.
É pra já cobrar um mínimo de eficiência de empresas como a OI que, descobri, há um ano cobrava um valor indevido no meu pacote de serviços. E, ainda por cima, enrola seus clientes sendo ineficiente e precária no(s) seu(s) SAC(s). São 3 sistemas insatisfatórios, não complementares e bancados, adivinhem por quem?
É pra já olhar com atenção para o que fazem nossos representantes no executivo, legislativo e judiciário, observar suas posturas e cobrar para que atuem em prol bem comum. Nós os patrocinamos com nossos votos e/ ou dinheiro (bancamos o judiciário, bebê, temos direitos – e muitos - ali também)
É pra já e urgente o sorriso, a amizade e a solidariedade que só nos trazem bons fluidos e benefícios imediatos para nossa beleza e saúde.
Pra finalizar, é quase pra já a paixão maior que me move: o carnaval! Com seu povo e seu amor pela alegria. Ela, que nos contagia e redime de nosso sofrimento, aliviando as dores que não podemos (ainda) curar!
Evoé, Momo, que seu tempo está pra chegar!
* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série e “Ponta do Leme”, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Excelente fábula

Lição do Rato


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa!!

A galinha:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e:
- Há ratoeira na casa, ratoeira !
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca e:
- Há ratoeira na casa!
- O que? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.

Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima... A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.
Ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.


Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.

O problema de um é problema de todos!

PS.: excelente fábula para ser divulgada principalmente na família e em grupos de trabalho!
"Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos."