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quarta-feira, 2 de outubro de 2013
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
RELACIONAMENTOS
Arnaldo Jabor
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ???"
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ???"
domingo, 14 de outubro de 2012
Ótimo por um átimo
Texto e foto de Valéria del Cueto
A vida é assim. Conduz a gente. Claro que há espaço
para uma substancial colaboração no conjunto da obra. Mas, na hora do vamos
ver, pode ter certeza: ela dá o seu pitaco e vira o jogo.
Quer um exemplo?
Cheguei numa praia repleta de atrações fotografáveis.
De longe, procurei com o olhar o rumo do meu prumo, a Ponta do Leme. E lá, na
Pedra, vejo que começaram a dar o ar da graça as florezinhas amarelas que
recobrem as copas das árvores do perfil do morro por um curto espaço de tempo,
um quase agora. É a florada dos Ipês.
De longe saco a máquina fotográfica. Cheia de gás e
inspiração constato que não só as alterações da paisagem - mas o entorno como
um todo - pedem um registro cuidadoso. Sinto-me leve. É a hora!
Começo num plano médio. Vou para o detalhe, pegando
a bandeira que tremula no Forte Duque de Caxias e as flores, abro para um geralzão
e...
A vida intervém. Poderia dizer, inclusive, que de
forma muito antidemocrática. Lá se vão as baterias da câmera. Mais arriadas que
pneu em caixa prego.
O que fazer com as bandeiras coloridas dos
quiosques, as pipas, o tabuleiro de cuscuz, a leitora distraída? Sem falar no
sol, na praia e nas ondas arrojadas que enchem o mar de surfistas.
A vida impõe. Quem pode, responde. Capto o sentido
da restrição. Puramente fotográfica, ela não se estende à literatura.
Por isso estou aqui, olhando de dentro dos meus
olhos para esse marzão adentro e desafiando minha capacidade de narradora para
descrever, mais uma vez, o meu lugar. Meu e de muita gente que venho
descobrindo através desse Sem Fim... de histórias que me seduziu. E de quem
hoje sou uma escrava feliz que surfa pelas palavras tentando capturar o sentido
das ondas por onde deslizam e evoluem homens e pranchas a minha praia.
Pensa que é fácil? Olha e escrever ao mesmo tempo é
PHoda. Uma briga incessante. Dois polos te atraem ao mesmo tempo. Aqui, as
frases e parágrafos exigem a sua atenção e rapidez, antes que passem batidas,
engolidas pela velocidade dos pensamentos que, em décimos de segundos se
projetam impacientes num passeio mental vertiginoso.
Lá, aí, lá. Lá é cá, no mar. Também um ciclo de
imagens e manobras únicas que, a mim, seduzem desde a formação distante das
ondulações que se revelarão boas ou más para a prática do surf, bodyboard e/ou do
jacaré, o de peito. Até o momento em que a última espuma da antes poderosa
força da natureza se espraia, lambendo preguiçosamente as areias do Leme.
Para mim, onda é um resumo da vida e mar uma
síntese dos ciclos existenciais. Como um I Ching natural, aparentemente
simples, porém tão complexo quanto os meandros mais profundos do oráculo
chinês.
Mobilidade, volatilidade e instantaneidade. Assim
são as ondas, movidas de acordo com o humor das correntes, das luas, dos
ventos...
É atento a todos esses elementos que se joga na
água o atleta. Na busca da sintonia com o mar. O desafio é a integração, por
que dela vai depender a capacidade de ousar e criar suas manobras.
O sol, que brilhou até agorinha está se escondendo
encoberto por nuvens desanimadoras. Mas como? Ainda não falei das roupas de neoprene
penduradas na barraca para secarem. Nem mencionei minha paixão de sempre, as
peladas na beira da praia...
É a vida, mais uma bateria que se esgota. Assim
como o espaço dessa crônica, a única ditadura imposta pelos meus amados
editores para os meus voos literários. Até a próxima!
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora
de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM.
delcueto.cia@gmail.com
domingo, 23 de setembro de 2012
O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA
Texto de Luiz Antônio Simas
Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.
Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha.
Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.
Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias o u coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não.
Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.
Abraços,
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio).
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Tudo ótimo
Texto e foto de Valéria del Cueto
- Bom dia, como vai, senhora? – (essa senhora sou eu).
- Tudo ótimo – respondo sorrindo ao pensar que não reparei o momento exato em que virei “senhora”.
- Nossa, que coisa incrível – diz a atendente do balcão da padaria. – Que milagre! – Exclama com um sincero “ar” de surpresa.
- Como assim? – pergunto intrigada com sua reação - Não entendi...
- Me desculpa, dona, acontece que nunca ninguém respondeu com um “tudo ótimo” ao meu bom dia – explica a moça enquanto para de esfregar furiosamente a superfície do balcão. Seus olhos brilham tão úmidos quanto pano que ela tem nas mãos.
E eu, que na noite anterior havia sido despachada do bonde que me trouxe à Florianópolis, abro o meu mais caloroso e especial sorriso. Era isso ou tê-la que ajudar o balcão inundado de nossas ameaçantes lágrimas.
Como não estaria tudo ótimo? Na véspera, ao sair pela última vez do local em que trabalhei arduamente, em média 12 horas por dia, desde que aqui cheguei (campanha é assim mesmo) uma ENORME lua cheia desenhava o contorno de uma das montanhas da Ilha da Magia, enchendo o céu quase claro de feitiço noturno.
Foi com ela me guiando que, pela primeira vez, pude entrar num maravilhoso restaurante a beira mar onde um filho de Oxalá se apresentou e me abrigou com uma conversa tão deliciosa quanto o gnocchi da fortuna que saboreei com um dia de atraso, “firmando” e pensando na simpatia que é de lei na casa da minha avó.
A conversa, embalada por uma garrafa de um excelente vinho português, de matar de inveja minha maninha Maria Lima, fluiu gostosa. Como aquelas que temos com velhos amigos que se reencontram mesmo sem nunca terem se visto anteriormente. Cercada de atenção e carinho por Andrade, o encarregado de nos levar pelos caminhos das delícias do restaurante Macarronada Italiana.
Quando abri a janela, na manhã seguinte, o sol, que há dias andava de castigo encoberto por pesadas nuvens que traziam as chuvas e um frio de bater os dentes, daqueles que penetram até pelos pespontos da costura lateral da calça jeans, resplandecia abusado. Aquecendo meu corpo ele me intimava a um esforço extra para, ao menos, tirar dois dias de folga antes de rodar a roleta e jogar a bolinha que definirá meu próximo pouso.
Foi assim que cheguei ao pão com queijo na chapa e ao expresso duplo que me levou ao “tudo ótimo”.
Enquanto tomo o café e conto um conto pra você, fiel leitor(a) e confidente, ouço o toque do celular que interrompe e quebra minha concentração.
A voz que escuto vem de longe, bem de longe. Vem do Rio. É minha mãe que, atendendo a um pedido meio impossível, passa o telefone para Dona Ena. Minha avó, minha madrinha, minha mais antiga e mais querida amiga. O amor incondicional da minha vida.
Ela, que está no hospital, quase tão perto de Deus quanto de nós, que tanto a amamos, me chama de “Maria Valéria” e diz que me ama muito. Como sempre. Muitas vezes. Pedindo pra que eu me cuide, diz baixinho outras palavras carinhosas enquanto, tentando disfarçar a voz, sinto as lágrimas do “tudo ótimo” querendo deslizar pelo meu rosto. Ali, em plena padaria do posto de gasolina. Sei que ela vai sair dessa! Tenho fé e rezo para isso.
Não sei como está a sua vida, querido leitor, mas para mim, ainda que triste, ela sorri. E se alguém me perguntar, mesmo que só por gentileza, como estou, a resposta, você já sabe: Está tudo ótimo! E com você?
PS A minha foto de hoje é um ato. Feche os olhos e imagine quem está nesse retrato.
*Valéria del Cueto é acima de tudo, uma neta amorosa e apaixonada. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com
- Bom dia, como vai, senhora? – (essa senhora sou eu).
- Tudo ótimo – respondo sorrindo ao pensar que não reparei o momento exato em que virei “senhora”.
- Nossa, que coisa incrível – diz a atendente do balcão da padaria. – Que milagre! – Exclama com um sincero “ar” de surpresa.
- Como assim? – pergunto intrigada com sua reação - Não entendi...
- Me desculpa, dona, acontece que nunca ninguém respondeu com um “tudo ótimo” ao meu bom dia – explica a moça enquanto para de esfregar furiosamente a superfície do balcão. Seus olhos brilham tão úmidos quanto pano que ela tem nas mãos.
E eu, que na noite anterior havia sido despachada do bonde que me trouxe à Florianópolis, abro o meu mais caloroso e especial sorriso. Era isso ou tê-la que ajudar o balcão inundado de nossas ameaçantes lágrimas.
Como não estaria tudo ótimo? Na véspera, ao sair pela última vez do local em que trabalhei arduamente, em média 12 horas por dia, desde que aqui cheguei (campanha é assim mesmo) uma ENORME lua cheia desenhava o contorno de uma das montanhas da Ilha da Magia, enchendo o céu quase claro de feitiço noturno.
Foi com ela me guiando que, pela primeira vez, pude entrar num maravilhoso restaurante a beira mar onde um filho de Oxalá se apresentou e me abrigou com uma conversa tão deliciosa quanto o gnocchi da fortuna que saboreei com um dia de atraso, “firmando” e pensando na simpatia que é de lei na casa da minha avó.
A conversa, embalada por uma garrafa de um excelente vinho português, de matar de inveja minha maninha Maria Lima, fluiu gostosa. Como aquelas que temos com velhos amigos que se reencontram mesmo sem nunca terem se visto anteriormente. Cercada de atenção e carinho por Andrade, o encarregado de nos levar pelos caminhos das delícias do restaurante Macarronada Italiana.
Quando abri a janela, na manhã seguinte, o sol, que há dias andava de castigo encoberto por pesadas nuvens que traziam as chuvas e um frio de bater os dentes, daqueles que penetram até pelos pespontos da costura lateral da calça jeans, resplandecia abusado. Aquecendo meu corpo ele me intimava a um esforço extra para, ao menos, tirar dois dias de folga antes de rodar a roleta e jogar a bolinha que definirá meu próximo pouso.
Foi assim que cheguei ao pão com queijo na chapa e ao expresso duplo que me levou ao “tudo ótimo”.
Enquanto tomo o café e conto um conto pra você, fiel leitor(a) e confidente, ouço o toque do celular que interrompe e quebra minha concentração.
A voz que escuto vem de longe, bem de longe. Vem do Rio. É minha mãe que, atendendo a um pedido meio impossível, passa o telefone para Dona Ena. Minha avó, minha madrinha, minha mais antiga e mais querida amiga. O amor incondicional da minha vida.
Ela, que está no hospital, quase tão perto de Deus quanto de nós, que tanto a amamos, me chama de “Maria Valéria” e diz que me ama muito. Como sempre. Muitas vezes. Pedindo pra que eu me cuide, diz baixinho outras palavras carinhosas enquanto, tentando disfarçar a voz, sinto as lágrimas do “tudo ótimo” querendo deslizar pelo meu rosto. Ali, em plena padaria do posto de gasolina. Sei que ela vai sair dessa! Tenho fé e rezo para isso.
Não sei como está a sua vida, querido leitor, mas para mim, ainda que triste, ela sorri. E se alguém me perguntar, mesmo que só por gentileza, como estou, a resposta, você já sabe: Está tudo ótimo! E com você?
PS A minha foto de hoje é um ato. Feche os olhos e imagine quem está nesse retrato.
*Valéria del Cueto é acima de tudo, uma neta amorosa e apaixonada. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Café X Saúde
Segundo um novo estudo, algumas xícaras de café por dia podem manter a tristeza longe, pelo menos para as mulheres.
Mulheres que bebem café (com cafeína) são menos propensas à depressão, e quanto mais elas bebem, mais o risco de depressão cai.
O estudo incluiu mais de 50.000 mulheres com idades entre 30 e 55 anos que periodicamente preencheram pesquisas sobre seu consumo de café e saúde.
Nenhuma das mulheres tinha sintomas de depressão ou histórico de depressão no início do estudo, mas durante os próximos 10 anos, cerca de 5% receberam um diagnóstico de depressão ou começaram a tomar medicação antidepressiva.
Comparado com mulheres que bebiam pouco ou nenhum café, aquelas que em média tomavam duas a três xícaras por dia tinham 15% menos chances de desenvolver depressão.
Há uma indicação muito forte de que há um relacionamento entre cafeína e depressão, mas isso não significa que o café vai parar a depressão. Os cientistas precisam de hipóteses para o mecanismo no trabalho, e estudar mais a fundo o que está acontecendo.
O café pode ajudar na prevenção de muitas doenças.
Uma xícara de café possui mais anti oxidantes do que um copo de suco de laranja.
O consumo do café é um hábito muito saudável, não é remédio ou cura para todas as doenças, mas pode prevenir problemas futuros. A apreciação do café é uma paixão que faz bem!
O café produz atividade anti-inflamatória e protetora sobre o sistema cardiovascular.
Possui atividade antagonista opióide (bloqueia o desejo por drogas).
É uma bebida aquosa, não contém gorduras e proteínas sendo mínimo o valor calórico.
Que tal um cafézinho??????
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Personal Stylist?
Por Caroline Gazolla
Anos atrás este serviço era desconhecido pela maioria de nós, meros mortais. Somente as grandes celebridades internacionais apostavam nos Personals para garantir elogios em premières e eventos do gênero. Fato é que esta realidade vem mudando a cada dia. O número de reality shows de moda cresceu nos canais abertos e invadiu inclusive os programas populares da TV brasileira. Artistas nacionais que queriam alcançar fama no exterior começaram a aparecer com visual mais polido e composto – um dos pioneiros foi Alexandre Pires que chegou a ser recebido na Casa Branca com um smoking chiquérrimo após contratar um Personal e reformular completamente seu estilo. Hoje, qualquer aspirante a famoso considera o investimento valioso e acredita que a contratação de um bom Personal Stylist pode e muito contribuir para o crescimento de sua carreira. Daí você se pergunta: “bom, eu entendo a necessidade de artistas e celebridades terem a ajuda de um profissional para se vestir, mas o que eu tenho a ver com isto?”
Eu respondo: tudo!
Todos nós temos uma imagem para zelar. Todos queremos ser bem vistos na carreira, não fazer feio numa festa, não gastar dinheiro com peças que jamais vamos usar e assim por diante.Se antes ter um Personal Stylist era privilégio de poucos, hoje a realidade já é bem diferente. Qualquer um pode – e deve – contratar um Consultor para cuidar da sua aparência.São inúmeros os benefícios de se ter um Personal Stylist. O maior deles é passar a ter mais aceitação do próprio corpo e entender que não há a necessidade de mudá-lo, muitas vezes de maneira agressiva e perigosa, para estar bonita. Com as técnicas certas, pessoas magras podem parecer ter o corpo ideal e aquelas mais fora de forma podem se ver muito mais magras e esbeltas refletidas no espelho. É possível, com o apoio de alguém que entende do assunto, chamar a atenção para aquilo que cada um tem de melhor e esconder seus complexos de maneira que eles deixem de incomodar, ou até mesmo de existir. Todos sabemos o poder que a imagem exerce na nossa sociedade hoje em dia. Muitas vezes, políticos chegam a ganhar eleições com a ajuda de alguém que cria a imagem certa para atingir o seu público de interesse. Não é assim tão diferente no dia a dia das pessoas comuns. A apresentação correta em uma entrevista de emprego e a sua forma de se vestir ajudam, realmente, a galgar posições na carreira e escalar até o topo. Ajuda a se relacionar, a ser mais expansiva, a ter uma vida social mais agitada e assim por diante. Enfim, apesar de lidar com o exterior das pessoas, atinge todos a sua volta e reformula o seu interior como uma verdadeira terapia!
Imagino que vocês devem ter sentido o quanto é recompensador ver toda esta transformação, certo? Por isto que eu absolutamente amo o meu trabalho e meu maior prazer é ver um mundo de gente estilosa e bem arrumada andando por aí. Apesar do trabalho de Personal ser bastante individualizado, algumas dicas servem para todos e por isto criei meu blog: carolinegazollastylist.blogspot.comhttp://carolinegazollastylist.blogspot.com.br/. Lá vocês encontram Looks do dia, Desfile da Semana, as últimas tendências de moda e muito mais. Além disto, podem conhecer um pouco mais da minha história e entender em detalhes como funciona o serviço. Quem sabe vocês não se animam e começam uma interessante jornada de auto-expressão aliando suas roupas e produções ao seu estado de humor e personalidade? Isto, em última instância é o que faz o seu estilo acontecer!
Texto e imagens: Caroline Gazolla
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